LETTERS IN STEEN EN PORTUGAL

WELKOM - SEJA BEM-VINDO

Van Jeroen Boudens leerde ik letters in steen verwerken. Muziek bracht mij naar Portugal waar ik verliefd werd op het land, zijn inwoners en fado. Van deze passies heb ik een cocktail gemaakt, met behoorlijk wat muziek toegevoegd. Welkom op deze blog waar je hopelijk ook jouw ding vindt.

Jeroen Boudens ensinou-me a escultura das letras em pedra. A música trouxe me a Portugal onde apaixonei-me pelo paÍs, pelos habitantes e pelo fado. Destas paixões fiz um cocktail, colocando bastante música. Seja bem-vindo neste blog e espero que vá gostar. (Sou belga, então peço desculpa por erros de tradução)

25 mrt. 2015

DICHTER HERBERTO HELDER OVERLEDEN
MORREU O POETA HERBERTO HELDER
Dichter Herberto (84) is maandag overleden in zijn huis in Cascais. Hij  werd beschouwd als de belangrijkste Portugese dichter van het tweede deel van de 20ste eeuw. 
O poeta Herberto Helder morreu esta segunda-feira, aos 84 anos, na sua casa em Cascais. Era considerado o maior poeta português da segunda metade do século XX.

Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira werd geboren op 23 november 1930 in Funchal op het eiland Madeira, hij was van Joodse afkomst. Hij verhuisde naar Lissabon in 1946 en studeerde in Coimbra, waar hij echter geen cursus afmaakte. In 1958 publiceerde hij zijn eerste bundel, ‘O Amor em Visita’, toen hij de kring van de modernisten in het Café Gelo aan de Rossio in Lissabon frequenteerde, een kring waar ook namen als Luiz Pacheco, Mário Cesariny, João Vieira, Hélder Macedo toe behoorden. 
Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasceu a 23 de Novembro de 1930 no Funchal, ilha da Madeira, no seio de uma família de origem judaica. Em 1946 mudou-se para Lisboa e estudou em Coimbra, não terminando nenhum dos cursos. Publicou o primeiro livro, O Amor em Visita, em 1958, numa altura em que frequentava o círculo modernista do Café Gelo, ao Rossio, em Lisboa, do qual também faziam parte nomes como Luiz Pacheco, Mário Cesariny, João Vieira, Hélder Macedo, entre outros.

Hij woonde nadien in Frankrijk, Nederland en België, waar hij marginale jobs uitvoerde. In Antwerpen leefde hij zelfs in de clandestiniteit en werkte er als gids voor de zeelui in het prostitutie milieu. In 1968, toen hij als redacteur werkte voor het internationale nieuwsagentschap van de nationale zender in Lissabon, werd hij ontslagen omwille van zijn medewerking aan de publicatie van een boek van Markies De Sade. Hij werkte in Afrika en trok naar de Verenigde Staten, waar hij in 1973 ‘Poesia Toda’ uitgaf, een verzameling van zijn werk tot dan toe. Hij kwam pas naar Portugal terug in 1975, na de anjerrevolutie.
Viveu em França, na Holanda e na Bélgica, onde exerceu profissões pobres e marginais. Em Antuérpia, chegou mesmo a viver na clandestinidade, trabalhando como guia de marinheiros no mundo da prostituição. Em 1968, enquanto trabalhava como redator do noticiário internacional da Emissora Nacional, em Lisboa, foi despedido por se ter envolvido na publicação de um livro de Marquês de Sade. Trabalhou na África e seguiu para os Estados Unidos da América onde, em 1973, publicou Poesia Toda, que reunia toda a sua produção poética até então. A Portugal só voltou em 1975, depois do 25 de abril.

Hij was een gereserveerd en discreet figuur, die zelden in het openbaar verscheen. De laatste 30 jaar gaf hij ook geen interviews meer. In 1994 weigerde Herberto Helder de Pessoa-prijs, hij weigerde alle literaire media-aandacht.
Over hem zei de criticus Pedro Mexia: “Hij was even belangrijk voor het tweede deel van de 20ste eeuw als Fernando Pessoa dat was voor het eerste deel”.
Era também uma figura reservada e discreta, raramente aparecendo em público. Não dava entrevistas há mais de 30 anos. Em 1994, Herberto Helder recusou o Prémio Pessoa, rejeitando quase sempre o mediatismo literário.
O crítico Pedro Mexia considerou que: “O seu lugar na literatura portuguesa da segunda metade do século 20 equivalerá ao de Fernando Pessoa na primeira metade.

Zijn laatste boek ‘A morte sem mestre’ verscheen in mei 2014, een beperkte oplage, zoals trouwens het merendeel van zijn laatste publicaties. Er hoorde een CD bij waarop de auteur zelf vijf gedichten declameerde.

O último livro do poeta foi ‘A morte sem mestre’, publicado em maio de 2014, numa edição limitada, à semelhança das últimas publicações que fizera. Esse vinha acompanhado de um CD em que declamava cinco dos poemas



que um nó de sangue na garganta
que um nó de sangue na garganta,
um nó de ar no coração,
que a mão fechada sobre uma pouca de água,
e eu não possa dizer nada,
e o resto seja só perder de vista a vastidão da terra,
sem mais saber de sítio e hora,
e baixo passar a brisa
pelo cabelo e a camisa e a boca toda tapada ao mundo,
por cada vez mais frios
o dia, a noite, o inferno, o inverno,
sem números para contar os dedos muito abertos
cortados das pontas dos braços,
sem sangue à vista:
só uma onda, só uma espuma entre pés e cabeça,
para sequer um jogo ou uma razão,
oh bela morte num dia seguro em qualquer parte
de gente em volta atenta à espera de nada,
um nó de sangue na garganta,
um nó apenas duro

                     
a última bilha de gás durou dois meses e três dias
a última bilha de gás durou dois meses e três dias,
com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado,
mas eis que se foram os três dias e estou aqui
e só tenho a dizer que não sei como arranjar dinheiro para outra bilha,
se vendessem o gás a retalho comprava apenas o gás da morte,
e mesmo assim tinha de comprá-lo fiado,
não sei o que vai ser da minha vida,
tão cara, Deus meu, que está a morte,
porque já me não fiam nada onde comprava tudo,
mesmo coisas rápidas,
se eu fosse judeu e se com um pouco de jeito isto por aqui acabasse nazi,
já seria mais fácil,
como diria o outro: a minha vida longa por muito pouco,
uma bilha de gás,
a minha vida quotidiana e a eternidade que já ouvi dizer que a habita e move,
não me queixo de nada no mundo senão do preço das bilhas de gás,
ou então de já mas não venderem fiado
e a pagar um dia a conta toda por junto:
corpo e alma e bilhas de gás na eternidade
- e dizem-me que há tanto gás por esse mundo fora,
países inteiros cheios de gás por baixo!

(A Morte sem Mestre; ed. Porto Editora, 2014)              

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